MONFORTE ACOLHEU COM SUCESSO O FESTIVAL TERRAS SEM SOMBRA
Updated on 29/09/2026
No último fim de semana, de 26 e 27 de setembro, Monforte foi palco de mais uma etapa marcante do Festival “Terras sem Sombra” que decorreu em parceria com o respetivo Município. Criado em 2003, este evento cultural destaca-se pelo seu caráter itinerante e descentralizador, percorrendo diversas localidades de concelhos do Alentejo ao longo de vários meses com atividades de entrada gratuita. Em Monforte, reafirmou a sua missão essencial de aproximar as comunidades à cultura e à natureza através de experiências que aliaram arte, história e sustentabilidade ambiental.
As atividades arrancaram na tarde de sábado, 26 de setembro, com o pilar do Património Cultural. Sob a orientação dos técnicos do Serviço de Turismo, Ana Isa e Rui Barradas, e do Diretor-Geral do Festival e historiador da arte, José António Falcão, os participantes partiram da Praça da República percorrendo a rota «Monforte Sacro: Igrejas, Ermidas e Capelas da Vila e Aro», uma incursão à antiga relação entre a vila e o território envolvente, o seu aro, e pela forma como os lugares de culto acompanharam a história e a expansão de Monforte desvendando essa riqueza arquitetónica e as memórias da arte sacra local.
O ponto alto da programação musical aconteceu na noite de sábado, no espaço “Monforte Sacro – Painéis de Azulejos do Século XVIII Sobre a Vida e Milagres da Rainha Santa Isabel”, na Igreja do Espírito Santo. Considerado um dos mais prestigiados e reconhecidos agrupamentos europeus de música antiga, o ensemble espanhol Accademia del Piacere, sob a direção artística do violetista Fahmi Alqhai, apresentou o espetáculo “Rediscovering Spain: Glosas, Fantasias e Diferenças (Viagem às Raízes do Flamenco)”, unindo o rigor da interpretação musical à força expressiva do flamenco contemporâneo, com a presença em palco da aclamada bailaora Ana Morales, Prémio Nacional de Dança de Espanha (2022). A sonoridade sublime das violas da gamba de Fahmi Alqhai, Johanna Rose e Rami Alqhai, acompanhadas pelo cravo de Javier Núñez, a guitarra barroca de Carles Blanch e a percussão de Agustín Diassera, proporcionaram uma noite memorável que arrebatou completamente o público.
Para além de vários representantes de entidades regionais e locais, estiveram presentes o Presidente e a Vice-Presidente da Câmara Municipal de Monforte, Miguel Rasquinho e Raquel Pereira, o Secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, o Diretor-Geral e a Diretora Executiva do Festival, José António Falcão e Sara Fonseca, o Vice-Presidente da CCDR Alentejo para a área da Cultura, Henrique Sim-Sim, e o Presidente da Assembleia Municipal de Monforte, Joaquim Gabriel Martins.
No domingo de manhã, a agenda dedicou-se à Conservação e Biodiversidade. A atividade “Entre Planícies e Asas: Na Rota das Aves Estepárias do Alentejo” levou os participantes até ao Sítio Arqueológico da villa romana de Torre de Palma. A caminhada de sensibilização ambiental e observação da natureza foi orientada pelo investigador João Gameiro, que deu a conhecer a relevância da salvaguarda das espécies e dos ecossistemas estepários característicos da paisagem alentejana e, seguidamente, acompanhados pelo arqueólogo afeto ao Serviço Municipal de Arqueologia, Sérgio Batista, ficaram a conhecer alguns aspetos sobre os vestígios arqueológicos aí existentes.
O festival “Terras sem Sombra” assenta em três pilares fundamentais: a Música (Erudita e Tradicional), organizando concertos com artistas de renome nacional e internacional em locais de valor histórico e acústico (igrejas, castelos e palácios), cobrindo repertórios da Idade Média à época contemporânea, o Património Cultural, realizando visitas guiadas por especialistas e peritos locais para dar a conhecer o património edificado, a história, a arqueologia e as tradições do Alentejo e a Biodiversidade e Conservação com ações de sensibilização ambiental e passeios na natureza conduzidos por cientistas, focados na salvaguarda dos ecossistemas locais.